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Entrevista Delegado Francischini.
Notícias - Policial

 

O Delegado Federal Fernando Francischini iniciou sua carreira como oficial da Polícia Militar do Paraná, atuando na Companhia de Polícia de Choque, assumindo em seguida o comando da RONE e do COE - Grupos Especiais da PM. Foi também oficial temporário do Exército no 5º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada. Francischini também é formado em Direito pela Universidade do Distrito Federal, tem especialização em planejamento operacional e fez diversos cursos na área de gerência de operações integradas, de repressão ao tráfico de entorpecentes em organizações como o Departamento de Combate ás Drogas dos Estados Unidos (DEA) e na Interpol. Nos últimos anos, vem atuando como Delegado de Polícia Federal e participou do planejamento de grandes operações. Entre os casos mais recentes estão as prisões do mega traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, do também traficante Fernandinho Beira-Mar e do empresário chinês Law Kim Chong, conhecido por movimentar milhões de dólares em produtos contrabandeados na Rua 25 de Março, em São Paulo. Também no combate à corrupção destaca-se a atuação do Delegado Francischini à frente das investigações e das prisões do então senador Jader Barbalho, do também senador Luiz Estevão e dos deputados José Carlos Gratz (presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo) e Hildebrando Pascoal (conhecido como “deputado da serra elétrica”, recentemente condenado). Devido a sua experiência à frente de inúmeras operações bem sucedidas, no início de 2008, junto com o prefeito de Curitiba, Beto Richa, criou a primeira Secretaria Antidrogas Municipal do Brasil.                                                                                                            

Diário - Como foi criada a Secretaria Antidrogas de Curitiba?                                                                                                                                                                                             

Delegado Francischini - Não adianta mais investir apenas em repressão. Prender os traficantes, já não é o suficiente para acabar com o tráfico de drogas, que é o grande responsável pelo aumento da criminalidade, em especial dos homicídios. Por isso, resolvemos investir em prevenção.  Nosso trabalho é evitar milhares de crianças e jovens experimentem as drogas, porque muitas vezes, esse é um caminho sem volta. Implantamos diversos projetos, como o Bola Cheia, que tem nas atividades esportivas, culturais e de lazer uma forma de atrair jovens em situação de risco e oferecer novas oportunidades de vida.                                                                                             

Já a Rede de Colaboração Curitibana e Metropolitana tem mais de 4.000 pessoas cadastradas, colaborando com a multiplicação de informações e também denúncias sobre o uso e tráfico de drogas. Neste ano, será implantada a Rede de Comunidades Terapêuticas, um projeto inédito no Brasil, que oferecerá vagas gratuitas às crianças e adolescentes carentes que são dependentes químicos.                    

Diário - O Delegado era considerado “Linha dura”, quando foi oficial da Polícia Militar do Paraná. Hoje delegado da Polícia Federal, como trabalhar a recuperação de viciados em drogas que estão envolvidos em crimes?                                                                                                

Delegado Francischini - Fui e continuo sendo linha dura. Lugar de traficante é na cadeia e sem direito à progressão de pena! Os grandes traficantes ligados ao crime organizado devem ser presos e punidos com maior rigor. Muitos crimes são cometidos pelo desespero em manter o vício da droga, especialmente o crack e estes jovens necessitam de ajuda profissional e espiritual. Por ser uma droga mais barata e que causa uma dependência química muito rápida e profunda, o crack é o maior vilão da nossa juventude atualmente.                                                                                                                 

Diário - A prisão do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, virou uma referência internacional para a Polícia Federal. Quais serão seus próximos projetos na área de segurança pública?                                                                                                                 

Delegado Francischini - Em primeiro lugar, o código penal deve conter leis cada vez mais duras contra os grandes criminosos e autores de crimes hediondos. O traficante de drogas precisa de punições rigorosas e cumprir integralmente a pena há que foi condenado. Nas regiões de fronteira, por onde passam drogas e armas temos que melhorar as condições de fiscalização. As Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), precisam disponibilizar unidades e parte do efetivo para essas regiões. Com a máxima urgência precisamos restabelecer o efetivo mínino de nossas polícias, em especial a civil e militar. A repressão policial precisa ser inteligente e eficiente principalmente no combate ao tráfico de drogas. É necessário afetar o comando das organizações criminosas no aspecto financeiro, investigando empresas e pessoas utilizadas como “laranjas” pelo tráfico. 

Diário - O litoral Paranaense vive um abandono em todas as áreas, principalmente na segurança. O que fazer para mudar esta situação? 

Delegado Francischini - A população sente que a sociedade e o poder público vêm perdendo a guerra contra o tráfico e a criminalidade. Um dos motivos é a falta do efetivo policial. Investir em segurança, no aparato policial e principalmente no efetivo da policia que é o mesmo de vinte anos atrás. Mas somente o investimento, porém, não determina a eficácia das medidas. É preciso saber direcioná-las. Aqui no litoral, em parceria com alguns municípios, foram criadas Diretorias Municipais Antidrogas em Paranaguá, Matinhos e Pontal do Paraná, que juntas poderão contribuir pra diminuir principalmente o tráfico de drogas. O combate tem que ser inteligente, constante. Mas fundamental também, é que, os governantes se preocupem com o Litoral durante os 12 meses do ano, e não somente na época da alta temporada, quando o efetivo da policia é direcionado para atender os veranistas. Repito o policiamento tem que ser constante, e com a participação do poder publico municipal e da sociedade.

                                                 

Diário - O Delegado é pré–candidato à Deputado Federal nas eleições de 2010?                        

Delegado Francischini - Aceitei o convite do prefeito Beto Richa para me filiar ao PSDB, colocando meu nome á disposição para uma pré-candidatura à Deputado Federal. Tenho grande apoio nas Polícias Federal, Civil e Militar. Neste momento estou empenhado em ajuda na elaboração de projetos para a área de segurança pública, bem como para recuperação de famílias, através de convênios com as Igrejas que mantém comunidades terapêuticas e ações sociais. A luta contra a corrupção, legalização das Drogas e o Aborto necessitam de coragem e dedicação. Tenho certeza que minha experiência poderá contribuir muito para que vivamos em breve numa sociedade melhor. 
 

Contatos fernando.francischini@gmail.com ou visite o site www.francischini.com.br

 

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